domingo, 27 de novembro de 2016

Conflitos e o coração da mente

[O conflito é algo que nos incomoda, ao ponto de querermos evitá-lo, e quanto maior o incômodo, mais profundo é o desejo de “apagar”. Mas na verdade o conflito é algo que clama por uma solução, um alívio, algo que resolva a situação de uma vez por todas!

Muitas vezes a aversão parece ser o caminho, porque de fato a primeira e única ideia que surge é rejeitar. Mas gostaria de te convidar para analisarmos outras possibilidades.

Antes de iniciar, gostaria de contar uma história. Um rapaz se aproximou de três amigos conhecidos, e ao apertar a mão de cada um deles, com a outra mão deu um leve tapa entre o ombro e as costas. Repetiu o ato com cada amigo, aplicando basicamente a mesma força em cada “tapa nas costas”. Os dois primeiros rapazes sorriram e foram muito receptivos, porém o terceiro amigo ficou chateado, mudou sua expressão, e por dentro estava muito contrafeito.

Vamos analisar juntos. Se dois primeiros rapazes, aceitaram tranquilos o cumprimento, e o terceiro não, então: quem ou o que cria o conflito? Pense um pouco. Acho que você já sabe o que é!

De fato nossa mente é muito criativa e produz muita coisa, mas somos nós quem decidimos nos agarrar a determinados pensamentos, dando-os força, e assim projetando positividade ou negatividade sobre nós mesmos e sobre os outros. Mas inconscientemente não fazemos isso por sermos bons ou maus, mas porque nos passa desapercebido, nos falta visão atenta e treinada.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Dualidade e ilusão da ignorância

[A pespectiva dualista é o resultado da desconexão ou separação entre o "eu" e o "outro". Nesse ponto de vista tudo que não é o "eu", se torna alvo potencial de "felicidade" ou "infelicidade". Em outras palavras a mente passa a projetar "positividade" ou "negatividade" sobre todas as coisas.

Agora imagine que nós passamos a vida enxergando e reforçando esse padrão neuronal, o "eu" e "outro", ou seja, buscando nos definir cada experiência vivida. Por um lado essa definição nos torna tão pequenos pois o mundo é tão vasto e grande. Por outro a vida pode se tornar uma competição pela "felicidade", para se conseguir "algo" antes que "outro" o pegue.

É como se o jardim de infância tivesse algumas crianças pulando no meio do salão tomando objetos e brinquedos umas das outras, algumas puxando pelos braços de outras, "ei vem brincar comigo", "não! vem comigo!". Algumas ficam bem bravas! Outras sorriem e correm! Mas espere... também há algumas crianças nos cantos. Olham com receio, parecem assustadas; aquilo tudo parece tão perigoso, "e se aquela criança me empurrar também", "eu gosto do meu brinquedo, e se me tomarem".

Quando tentamos nos definir, a nossa mente se torna pequena e limitada, e se perseguimos as pessoas ou coisas como fontes potenciais da felicidade e infelicidade, a vida se transforma em uma luta ou competição. Em ambos os casos é a ignorância que distorce a visão, e impede de ver as coisas como realmente são.

domingo, 3 de julho de 2016

Conforto e consolação

[Todo ser senciente é aquele capaz de experimentar o sofrimento ou alegria, mas sem dúvida o alvo de todos é a felicidade. Agora mesmo você poderia pensar em um sonho seu, imaginar esse desejo sendo realizado, e o que você faria. Talvez fechar os olhos por poucos segundos, e quando terminar observe o que está sentido.

Quando li recentemente sobre as "aflições mentais" ou "venenos" que são: a ignorância, o apego, e a aversão. Ficou bem entendido a questão do condicionamento mental como algo que nos limita a ver as coisas como elas realmente são, mas foi em uma meditação que me veio a ideia mais clara. Uma imagem de um homem bêbado acordando no chão da rua, e depois refletindo sobre essa "fotografia" que me veio a compreensão.

Você pode achar difícil de acreditar, mas esse homem bêbado que acordou no meio da rua, só quer ser feliz. Para experimentar a alegria ele precisa beber, aí fica eufórico, sorrir, e até canta. Mas quando o efeito do álcool passa, o vazio volta, mas ele já tem uma solução para isso: vai beber mais.

Até que um dia ele acorda, e ouve o sopro incessante do espírito, que mandou a imagem do seu filho. O homem senta na rua e chora, novamente vem a mente a ideia de beber para aliviar o sofrimento e trazer a "alegria", mas desta vez ele decide fazer um rumo diferente. Vai visitar sua família. Chegando em casa de sua mãe o enche abraços e beijos. Sua esposa em lágrimas passa a mão no seu rosto sofrido. Mas é no abraço do filho que o homem cai de joelhos.