[Entre a dúvida e a hesitação há um profundo respeito pelas diferenças e pelos desafios de cada um. É certo que tem sido lento, mas assim tem sido muito mais seguro. Há muito apoio nesse aparente caminho solitário. Até onde a memória alcança, hoje vejo que em todas as adversidades que sugiram tudo sempre deu certo com a ajuda da "mão invisível".
Agora fez um ano que tudo começou, e quando olho para trás mal posso me reconhecer. O início foi uma força que parecia mais uma fúria. Mas essa "bruta" determinação foi bastante necessária e ao tempo foi ficando mais calma, mais branda, e não menos esforçada.
Muitas vezes lavei meus pés com as próprias lágrimas que escondia. Construi-me e destruí-me uma centena de vezes. Enquanto havia sincero esforço de ver o que estava por debaixo do tapete, mais a personalidade arisca varria e tentava esconder o máximo. Lutei contra mim mesmo. Boicotei-me pelo menos umas mil vezes. Era doloroso reconhecer as sombras. Provei de muitos frutos que plantei. Mas era simplesmente extasiante decifrar os sussurros inaudíveis do espírito que sopra.
Eu que nada de sobrenatural vejo, e nem ouço, fechava os olhos a sentir para o vento soprar. Andei pela espreita observando e reconhecendo os vários sistemas ao nosso redor, e ao mesmo tempo buscando intensamente o que me faltava. Larguei crenças enraizadas, conheci muitas outras, e muito destas também tive que largar. E cada pessoa, cada livro, cada filosofia que encontrava e cruzava o meu caminho tinha uma parte do quebra-cabeça da verdade.
Muitos hábitos foram mudados. Coisas antes negadas ao coração foram feitas. Laços comprometidos no passado foram reparados. Memórias, muitas memórias, remotas memórias, foram recuperadas.
Em vão tentei suprimir o meu ego infantil. Quando deitava e olhava para o teto, pensava: Porquê? Porquê não amanheço com esta mesma consciência de agora? Mas ao acordar no outro dia estava lá, era preciso "domar" novamente. Mas com o tempo o que antes parecia uma luta, foi se enchendo de compreensão. Até que a resposta veio uma pergunta: Como pode "o ser" fugir da própria sombra? Não, suprimir não era o caminho, pois sentia que essa parte de mim também crescia, se transformava. Sim era possível mudar!

